Segunda de farmacologia
Insulina é alta vigilância?
Medicamentos de alta vigilância (MAV): o que são, o que está na lista hospitalar do ISMP Brasil e as barreiras contra o erro.
Sim: toda insulina
SC e EV
Na lista hospitalar do ISMP Brasil (2019), toda insulina, em frasco-ampola ou caneta, por via subcutânea ou endovenosa, é medicamento potencialmente perigoso.
- MAV = medicamento de alta vigilância, também chamado de potencialmente perigoso (MPP).
- O erro com eles pode não ser o mais frequente, mas o dano tende a ser mais grave, podendo deixar lesão permanente ou levar à morte.
Como a lista funciona
- Classe terapêutica: quando todos os medicamentos da classe são considerados potencialmente perigosos.
- Medicamento específico: quando só um ou alguns da classe têm risco aumentado de dano.
- A lista hospitalar vigente do ISMP Brasil é a de 2019, traduzida e adaptada da lista do ISMP dos EUA.
- O protocolo MS/Anvisa de 2013 prevê que cada unidade de saúde divulgue a sua própria lista, com dose máxima e forma de administração.
Classes da lista (parte 1)
- Agonistas adrenérgicos EV (ex.: epinefrina, norepinefrina) e antagonistas adrenérgicos EV (ex.: propranolol).
- Antiarrítmicos EV (ex.: lidocaína, amiodarona) e inotrópicos EV (ex.: milrinona).
- Antitrombóticos: heparinas, varfarina, anticoagulantes orais diretos (ex.: rivaroxabana) e trombolíticos (ex.: alteplase).
- Analgésicos opioides EV, transdérmicos e de uso oral.
- Bloqueadores neuromusculares (ex.: suxametônio, rocurônio).
Classes da lista (parte 2)
- Insulina subcutânea e endovenosa e sulfonilureias orais (ex.: glibenclamida, glimepirida).
- Sedativos EV de ação moderada (ex.: midazolam, dexmedetomidina) e anestésicos gerais (ex.: propofol, cetamina).
- Sedativos orais para crianças, de ação mínima ou moderada (ex.: hidrato de cloral).
- Antineoplásicos de uso oral e parenteral.
- Medicamentos por via epidural ou intratecal, nutrição parenteral e soluções de diálise e cardioplégicas.
Itens que muita gente esquece
Também são classes da lista hospitalar do ISMP Brasil (2019):
- Glicose hipertônica com concentração igual ou maior que 20%.
- Cloreto de sódio hipertônico injetável, com concentração maior que 0,9%.
- Água estéril para injeção, inalação e irrigação em embalagens de 100 mL ou mais.
- Medicamentos na forma lipossomal (ex.: anfotericina B lipossomal) e a forma convencional correspondente (ex.: anfotericina B desoxicolato).
Medicamentos específicos
Entram um a um: KCl concentrado, fosfato de potássio, sulfato de magnésio, ocitocina EV, nitroprussiato, vasopressina EV/IO, epinefrina SC, prometazina injetável e metotrexato oral.
- Cloreto de potássio concentrado: o ISMP Brasil recomenda etiqueta de alerta “diluir antes de administrar”.
- Prometazina injetável: vale para qualquer via parenteral, e o ISMP dos EUA recomenda retirá-la dos hospitais.
- Metotrexato oral entra na lista quando o uso é não oncológico.
Barreiras contra o erro
Os três princípios do ISMP Brasil: reduzir a chance do erro, tornar o erro visível e diminuir as consequências.
- Dupla checagem por dois profissionais nos cálculos de diluição e na administração (protocolo MS/Anvisa 2013).
- Retirar do estoque das unidades de internação os eletrólitos concentrados (especialmente cloreto de potássio) e os bloqueadores neuromusculares.
- Identificação diferenciada no armazenamento e etiquetas de alerta.
- Seringas próprias para solução oral, sem conexão com a via endovenosa.
O erro que derruba na prova
- Alta vigilância não quer dizer que o erro é o mais frequente: quer dizer que o dano é maior quando o erro acontece.
- Insulina entra em todas as apresentações e vias, não só a endovenosa.
- A dupla checagem pode não ser suficiente nem adequada para todos os medicamentos da lista, segundo o ISMP Brasil.
- Na atualização de 2019, os meios de radiocontraste EV saíram da lista hospitalar.
Fontes
- ISMP Brasil. Medicamentos potencialmente perigosos de uso hospitalar: lista atualizada 2019. Boletim ISMP Brasil, v. 8, n. 1, fev. 2019.
- Ministério da Saúde, Anvisa e Fiocruz. Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos (Anexo 03). 2013.
- Coren-BA. Parecer Técnico nº 09/2025: medicamentos de alto risco/vigilância. 2025.