Sexta de biossegurança
Gotícula ou aerossol? 4 precauções
Padrão, contato, gotículas e aerossóis: quando cada uma entra, o EPI de cada uma e a pegadinha da máscara.
Os 2 grupos de precaução
O protocolo de precauções e isolamento da Anvisa (2025) divide as medidas em dois grupos.
- Precaução padrão: vale para todos os pacientes, com ou sem suspeita ou confirmação de infecção.
- Precauções baseadas na transmissão: contato, gotículas e aerossóis, conforme a via do agente.
- As baseadas na transmissão são adicionais: segundo a Anvisa, sempre se somam à padrão e podem ser combinadas.
Precaução padrão: para todos
- Higiene das mãos nos 5 momentos, e também antes de calçar e depois de retirar as luvas.
- Luvas quando há risco de contato com secreções, fluidos, pele não íntegra e mucosas. A Anvisa lembra: luva não substitui a higiene das mãos.
- Avental se há risco de sujar a roupa com fluidos; máscara, óculos e protetor facial se há risco de respingos.
- O protocolo indica trocar avental e luvas a cada paciente e não usar EPI fora da área de assistência.
Precaução de contato
Para agentes que passam pelas mãos, superfícies e equipamentos, de forma direta ou indireta.
- Exemplos da Anvisa: infecção ou colonização por multirresistente, impetigo, ferida com secreção não contida no curativo, rubéola congênita.
- EPI: luvas e avental de manga longa, colocados dentro do quarto, logo antes do contato.
- Artigos de uso exclusivo do paciente; se não houver, desinfecção a cada uso (ex.: glicosímetro).
- Quarto privativo de preferência, ou coorte com o mesmo microrganismo.
Precaução para gotículas
A Anvisa define gotícula como partícula maior que 5 µm, que pode atingir a via respiratória alta (nariz e boca).
- Disseminadas pela fala, tosse e aspiração de secreções.
- Exemplos das fontes: meningite meningocócica, difteria faríngea, caxumba, coqueluche e influenza.
- Máscara cirúrgica para todas as pessoas que entram no quarto, segundo a Anvisa e o protocolo do HUAB-UFRN.
- Quarto privativo de preferência, ou coorte.
Precaução para aerossóis
Aerossóis são partículas de até 5 µm, mais leves, que ficam suspensas no ar por longos períodos e podem chegar mais fundo no trato respiratório.
- Exemplos das fontes: tuberculose pulmonar ou laríngea, sarampo e varicela.
- Máscara N95 ou PFF2 pelo profissional durante todo o tempo no quarto, retirada só ao sair.
- Quarto privativo de porta fechada; a Anvisa cita, se possível, pressão negativa, filtro HEPA e antecâmara.
E no transporte?
O protocolo da Anvisa diz que o transporte do paciente em precaução deve ser evitado. Quando for necessário:
- Gotículas e aerossóis: o paciente usa máscara cirúrgica durante o transporte.
- Contato: o profissional usa luvas e avental e evita tocar superfícies com a mão enluvada.
- O protocolo da Anvisa pede avisar o setor que vai receber o paciente sobre a precaução.
Quando as precauções se somam
- A Anvisa diz que as precauções podem ser combinadas quando o agente tem mais de uma via de transmissão.
- Exemplo do protocolo: na varicela e no herpes-zóster disseminado, a indicação é padrão + aerossóis + contato.
- O paciente em precaução é sinalizado, com placa na porta do quarto; o multirresistente é identificado no prontuário e no leito.
O erro que derruba na prova
- Achar que gotícula pede N95: as fontes indicam máscara cirúrgica. N95/PFF2 é da precaução para aerossóis.
- Achar que a precaução padrão é só para quem tem infecção: ela vale para todos os pacientes.
- Achar que luva dispensa a higiene das mãos: não dispensa, antes e depois.
- Esquecer que contato, gotículas e aerossóis se somam à padrão, nunca a substituem.
Fontes
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Protocolo de Precauções e Isolamento em Serviços de Saúde, versão 1. 2025.
- Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB-UFRN/Ebserh). PRT.SCIRAS.008 Precauções de Isolamento na Assistência dos Pacientes, versão 3. 2025.