Quarta de feridas
3 fases da cicatrização
Inflamatória, proliferativa e maturação: o que acontece em cada uma e o que dá para ver no leito da ferida.
Um processo, três fases sobrepostas
Quando a pele sofre um dano, começa uma série de reações celulares para restaurar o tecido.
- A maioria dos protocolos divide o processo didaticamente em 3 fases: inflamatória, proliferativa e maturação (ou remodelagem).
- As fases se sobrepõem: uma começa antes de a outra terminar.
- Alguns protocolos descrevem a epitelização como fase à parte, entre a proliferativa e a maturação.
1. Fase inflamatória
Começa no momento da lesão e dura poucos dias.
- Hemostasia: resposta vascular e agregação de plaquetas.
- Neutrófilos e macrófagos fazem fagocitose e limpam o leito da lesão, preparando o meio para o crescimento celular.
- Sinais clínicos: calor, rubor e edema (e dor). O protocolo de Jundiaí descreve esses sinais como parte fisiológica do processo.
2. Fase proliferativa
Também chamada de fase de granulação ou de reconstrução.
- Angiogênese: formação de novos vasos.
- Fibroblastos fazem a síntese de colágeno e da matriz extracelular.
- Forma-se o tecido de granulação, que preenche a ferida.
- Contração da ferida e reepitelização: as células epiteliais migram e recobrem o leito.
3. Maturação ou remodelagem
A fase final e a mais longa: pode durar meses e passar de 1 ano.
- A vascularização diminui.
- As fibras de colágeno se reorganizam e formam o tecido cicatricial.
- A força tênsil (resistência e elasticidade) volta aos poucos, mas não chega à do tecido sadio.
O que dá para ver no leito
- Granulação: tecido vermelho vivo ou rosado, úmido, brilhante, de aspecto granuloso, como uma framboesa. É o tecido típico da fase proliferativa.
- Epitelial: epiderme nova, rosada e seca, mais frágil que a pele normal.
- As 3 fases podem acontecer ao mesmo tempo, em áreas diferentes da mesma lesão.
1ª, 2ª e 3ª intenção
- 1ª intenção: bordas aproximadas (sutura, fita, grampo) numa ferida não infectada, sem complicações.
- 2ª intenção: a ferida fica aberta (por escolha ou por perda extensa de tecido) e passa por todas as fases até epitelizar.
- 3ª intenção: a ferida fica aberta para drenagem ou controle de contaminação (ou após deiscência) e depois as bordas são aproximadas.
O que atrasa a cicatrização
- Infecção: prolonga a fase inflamatória e atrasa o colágeno e a epitelização.
- Tecido necrótico, corpo estranho, hematoma, edema e ressecamento do leito.
- Má perfusão, desnutrição, tabagismo, idade avançada e doenças como diabetes e imunossupressão.
- Alguns medicamentos, como corticoides e antineoplásicos.
O erro que derruba na prova
- Achar que as fases são estanques: elas se sobrepõem.
- Confundir granulação (úmida, típica da proliferativa) com tecido epitelial (seco, rosado e mais frágil).
- Decorar um prazo único: os protocolos dão prazos diferentes para cada fase. Leia o que a banca usa como referência.
- Pensar que a cicatriz volta a ser pele normal: ela fica menos resistente.
Fontes
- Prefeitura de Jundiaí (SP). Protocolo de Prevenção e Tratamento de Feridas, versão II, 2025 (versão I de 2023).
- Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal da Saúde. Manual de Padronização de Curativos. Edição 2024.
- Prefeitura de Guarulhos (SP), Secretaria da Saúde. Protocolo para Tratamento de Feridas. 2022.
- Prefeitura de Piracicaba (SP), Secretaria Municipal de Saúde. Protocolo de Prevenção e Tratamento de Lesões. 2024.