Terça de semiologia
4 escalas de dor
Numérica, visual analógica, descritores verbais e faces: como o PCDT da Dor Crônica (MS, 2024) descreve cada uma.
Por que usar escala
Segundo o PCDT da Dor Crônica, as escalas ajudam a registrar a evolução da dor e a planejar o tratamento.
- Nenhuma escala é padrão-ouro: o PCDT orienta usar a que melhor se adequa ao paciente.
- Unidimensionais medem só a intensidade: visual analógica, numérica e faces (classificação do Coren-SP).
- Multidimensionais avaliam também reações físicas e emocionais à dor, como a FLACC e a NIPS, usadas em pediatria.
Escala numérica
0 a 10
0 = sem dor · 10 = a pior dor imaginável
- O paciente indica o número que corresponde à dor que está sentindo ou que sentiu em determinado período.
- Para o Coren-SP, é ainda mais rápida e simples que a analógico-visual: basta perguntar a nota de 0 a 10.
Escala visual analógica (EVA)
- No PCDT, é uma linha horizontal de 100 mm (10 cm).
- O paciente indica nela a intensidade da dor, que aumenta da esquerda para a direita.
- Em idosos, o PCDT diz que descritores verbais e escalas numéricas parecem preferíveis à EVA.
Descritores verbais
O paciente escolhe, entre cinco categorias, a que melhor representa a dor que sente:
- Nenhuma dor
- Dor leve
- Dor moderada
- Dor intensa
- Maior dor
Escala de faces
- No PCDT, cada face corresponde a uma sensação de dor, da esquerda para a direita: ausência de dor, leve, moderada, forte e insuportável.
- O PCDT cita escalas de faces entre os instrumentos validados para todas as idades e diferentes habilidades mentais.
- A Escala de Faces Revisada (FPS-R), desenvolvida para crianças, tem seis rostos, pontuados de 0 a 10 só com números pares.
Quem pode aplicar
O que diz o Parecer Coren-SP nº 009/2021, sobre escalas usadas em pediatria:
- Unidimensionais (visual analógica, numérica e faces revisada): podem ser aplicadas também por técnicos e auxiliares, por não envolverem avaliação clínica.
- Multidimensionais (FLACC e NIPS): exclusivamente pelo enfermeiro, por envolverem avaliação clínica.
- Parecer de conselho regional: vale conferir também o protocolo da instituição.
O erro que derruba na prova
- Dizer que existe escala padrão-ouro para a dor. O PCDT diz que nenhuma é.
- Chamar a FLACC ou a NIPS de unidimensional: elas avaliam também reações físicas e emocionais, não só a intensidade.
- Contar 0 a 5 na FPS-R: são seis rostos, mas a pontuação vai de 0 a 10, só pares.
- Achar que a EVA é sempre a melhor: em idosos, o PCDT diz que descritores verbais e numérica parecem preferíveis.
Fontes
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica (Portaria Conjunta SAES/SAPS/SECTICS nº 1, de 22/08/2024), item 4.1.4 e Apêndice A.
- Coren-SP. Parecer Câmara Técnica nº 009/2021: competência para aplicação e avaliação de escalas, escores e índices pediátricos na equipe de enfermagem. 2021.